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Livros/Guia de Cuidados com a Pele para a Primavera e o Verão/O Sol, a Radiação UV e a Nossa Pele: Tudo o que Você Precisa Saber
Capítulo 0213 min de leitura

O Sol, a Radiação UV e a Nossa Pele: Tudo o que Você Precisa Saber

Capítulo abrangente que explica o efeito biológico da radiação UVA, UVB, luz visível e infravermelha na nossa pele, e por que a fotoproteção não é apenas uma questão estética, mas de saúde.

Ideias principais neste capítulo

  • A luz UV não apenas envelhece a pele; ela causa danos ao DNA, aumentando o risco de câncer de pele.
  • A UVA está ativa em todas as estações e condições climáticas; a UVB atinge o pico nos meses de verão e durante as horas do meio-dia.
  • A luz visível e o infravermelho também são eficazes no fotoenvelhecimento e no aumento da pigmentação; por isso, os filtros minerais ganham importância.
Gökyüzünde parlayan güneş — UV radyasyonu ve cilt
Imagem:O UV não é apenas um dado meteorológico; é uma assinatura invisível adicionada à biografia anual da pele.· Unsplash (royalty-free)

O que é o espectro UV e por que tudo isso é importante?

A luz solar não é apenas calor. Seu espectro é muito amplo: embora uma parte muito pequena seja composta por UV (ultravioleta), essa parte cria os resultados fotobiológicos mais importantes para a pele. Existem três grupos principais: UVA (320–400 nm), UVB (290–320 nm) e UVC (200–290 nm). O UVC é bloqueado em grande parte pela camada de ozônio; o que realmente interessa à pele no solo são os raios UVA e UVB.

O UVB permanece na superfície; está no centro das queimaduras, vermelhidão e danos ao DNA. O UVA, por sua vez, penetra mais profundamente; atinge a derme, causa danos à elastina e ao colágeno, e é a principal fonte de fotoenvelhecimento a longo prazo e aumento da pigmentação. Mesmo em um dia nublado, a maior parte da carga de UVA persiste.

Luz visível e infravermelho: a nova geração de fotoameaças

Estudos realizados nos últimos 10 anos mostraram que não é apenas o UV que afeta a pele, mas a HEVL (luz visível de alta energia) e o IR-A (infravermelho) também são significativos para o fotoenvelhecimento e, especialmente em tipos de pele mais escura, para a hiperpigmentação. Por isso, aumentou a importância dos protetores solares que não protegem apenas contra UVA/UVB, mas que também contêm componentes minerais (óxido de zinco, dióxido de titânio) e pigmentados.

Em pacientes com melasma e tendência a manchas, apenas um filtro químico pode não ser suficiente. Mais adiante neste capítulo, a escolha do protetor solar correto será abordada como uma seção separada; aqui, focamos em entender o contexto biológico.

Dose e cronometragem de UV

O índice UV (IUV) varia de acordo com a hora do dia, a geografia e a estação. Na Turquia, entre junho e agosto, das 11:00 às 16:00, o IUV geralmente sobe para a faixa de 8 a 10; esta é a faixa de "muito alto" e "extremo". Nessas horas, a proteção solar não é apenas estética, é uma necessidade médica.

A maioria dos meus pacientes diz: "Eu não me queimo". No entanto, mesmo em pacientes com pele mais escura, o dano por UVA é cumulativo; doses que não causam queimaduras ainda desencadeiam danos ao colágeno e acúmulo de pigmento. A exposição solar não é uma questão de "sentir", é uma questão de acúmulo.

  • Das 11:00 às 16:00, o UV está em seu valor máximo na Turquia.
  • Um dia nublado permite a passagem de até 70% de UVA.
  • A água e a areia podem aumentar a carga de UV em 20-80% devido ao reflexo.
  • A janela de vidro bloqueia o UVB, mas deixa passar o UVA; danos ocorrem até mesmo ao dirigir dentro de um veículo.
  • A sombra reduz a dose total, mas não zera o UV.

Nota clínica:Vejo frequentemente no acompanhamento de pacientes: o paciente que diz "eu nem fico na praia" apresenta sinais intensos de fotoenvelhecimento nas mãos, na região do pescoço e na testa. A razão para isso é a exposição diária, inconsciente e acumulada aos raios UV.

Efeitos da exposição aos raios UV na pele

A curto prazo, observam-se queimaduras, vermelhidão e inflamação aguda. A médio prazo, o bronzeamento é, na verdade, uma resposta de defesa; é a resposta da pele aos danos no DNA. A longo prazo, entram em jogo a perda de colágeno, elastose, lentigo solar (manchas senis), queratose actínica e câncer de pele.

De acordo com dados da Academia Americana de Dermatologia, 80-90% das alterações cutâneas relacionadas ao envelhecimento não são cronológicas, mas fotográficas, ou seja, causadas por UV. Em outras palavras, grande parte do que chamamos de envelhecimento é, na verdade, dano solar. Essa informação torna o protetor solar não um luxo, mas uma ferramenta de saúde.

O paradoxo da vitamina D: o sol é bom ou ruim?

O paciente pergunta frequentemente: "Se o UV é tão prejudicial, como fica a vitamina D?". Esta é uma pergunta importante. A verdade é: para a síntese de vitamina D, alguns minutos de exposição controlada ao UVB na pele são suficientes. Nos braços e pernas, 2-3 dias por semana, por alguns minutos fora do horário de pico do IUV, é suficiente para a maioria dos indivíduos saudáveis.

Para pacientes com tendência a manchas, melasma ou histórico de câncer de pele, tentar obter vitamina D do sol não é lógico em termos de risco-benefício; a vitamina D pode ser suplementada por via oral e o nível sanguíneo pode ser monitorado. O argumento de que o protetor solar bloqueia a vitamina D tornou-se amplamente inválido na literatura atual.

Atenção:A queimadura solar não é um castigo, é um sinal de emergência dado pela pele. Submeter uma pele queimada a tratamentos agressivos (peeling, laser, retinoides) nas 48 horas seguintes é arriscado e incorreto.

As quatro camadas da fotoproteção

A fotoproteção moderna não é apenas passar creme. Defendo uma abordagem de quatro camadas: comportamental (evitar horários de pico), física (roupas com proteção UV, chapéu de abas largas, óculos UV), tópica (protetor solar) e sistêmica (suporte antioxidante, nutrição).

Quando essas quatro camadas trabalham juntas, a proteção eficaz começa. Depender apenas do protetor solar não é suficiente na prática; porque a maioria dos pacientes não aplica a quantidade necessária, fazendo com que o FPS real permaneça muito baixo. Nos próximos capítulos, explicarei detalhadamente a lógica da aplicação correta.

Câncer de pele e exame regular

O melanoma, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular são os cânceres de pele mais comuns. Com o diagnóstico precoce, a grande maioria é tratada com sucesso. Não se deve esquecer que a exposição solar crescente durante os meses de verão na Turquia é a pedra angular dos casos de câncer que se desenvolvem décadas depois.

Regra de ouro: após os 30 anos, pelo menos um exame dermatológico por ano, mostrar ao médico pintas "novas" ou "em mudança" suspeitas, conhecer a regra ABCDE (Assimetria, Bordas, Cor, Diâmetro, Evolução). Se houver histórico familiar de câncer de pele, o acompanhamento pode ser mais frequente para pacientes com muitas pintas, pele clara e exposição solar intensa ao longo da vida.

Fotoalergia e fototoxicidade

Alguns medicamentos (tetraciclina, amiodarona, furosemida, alguns AINEs, alguns medicamentos psiquiátricos) e componentes cosméticos (óleo de bergamota, perfumes) podem levar a pele a ter uma reação pouco conhecida quando combinados com o sol. Essas reações às vezes se assemelham a queimaduras solares, outras vezes apresentam um quadro de eczema.

Ao iniciar um novo medicamento, pergunte ao seu médico sobre a interação com o sol. Não aplique perfume contendo bergamota no rosto; tenha cuidado com o contato com óleo de frutas cítricas.

Essência do capítulo:O UV é uma carga que dura o ano todo. Embora a intensidade sazonal aumente, o hábito de proteção em si não é sazonal; deve se tornar um hábito para toda a vida, tanto do ponto de vista estético quanto médico.